7 de outubro de 2009

recado


o sesc pompéia é tão bacana e as oficinas de criatividade são tããão legais, mas a oficina de artes gráficas bem que podia ser olhada com mais carinho pela administração. porque os outros ateliês tem cursos todos os semestres, oficinas gratuitas... e quando é que teve a última oficina de tipografia ali, gente? pôxa vida, tou querendo faz tempo e não tem. lógico, tem outras coisas, xilo, gravura, fotografia, desenho, pintura... mas tipografia mesmo, é pouco... e olha que tem toda a estrutura ali, que eu fucei em tudinho que o seu álvaro, tipógrafo de milianos, me mostrou. pasmem, tem até essa belezinha jogada num canto, máquina de mais de 300 anos, completamente sub-aproveitada:






ô pessoal do sesc, vamos dar um gás aí nas oficinas de tipografia, que são importantíssimas tanto para pesquisadores quanto para artistas e amantes em geral das artes gráficas...

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23 de dezembro de 2008

imagens inéditas de lívio abramo

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estas imagens só eu tenho, dos trabalhos que fizemos de conservação e restauro... agora estão aí, disponíveis mundialmente e escancaradamente na rede...

o lívio, que era militante comunista, fazia a arte dos jornais, boletins e cartazes da UTG, como esses aí embaixo, convidando os trabalhadores e suas famílias para as atividades esportivas e de confraternização promovidas pelo sindicato:







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16 de setembro de 2008

lívio abramo

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algumas imagens das xilogravuras deste que foi um dos maiores gravuristas brasileiros.

mulata (1954)
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passeata (1933)
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operário
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as chuvas (1974)
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cidade
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santos (1987)

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15 de fevereiro de 2008

sobre o projeto resgatar

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lá pelos meios de 2007, eu e o vagnão formamos uma dupla de dois para desenvolver um projeto muito bacana, como parte de nossas atividades no curso técnico- SENAI.

o objetivo era conhecer um pouco sobre as técnicas de conservação e restauro, ajudando na melhoria das condições do acervo histórico do sindicato dos gráficos- sp. e também, de alguma forma, contagiar a comunidade senaiana/ senaiense com a energia desses documentos que, resgatados, emocionam e ensinam.

agora, aqui no blog, este projetinho que deu tanto trabalho vai pelo menos ficar registrado e, quem sabe, chegar à mais pessoas (com informações que para nós foram escassas!).



aqui, a situação que encontramos em uma das encadernações do sindicato: documentos encavalados, prejudicados pela posição em que o material fica quando se fecha o livro.
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nesse caso, tivemos que remover o panfleto, de conservação mais crítica (com um produto especial para amolecer a cola, buscando causar o menor dano possível...)
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daí, toca a fazer a reeducação das fibras do papel, usando alternadamente umidade e calor (um cotonete molhado e uma espátula térmica); depois de fazer isso umas 2374,54 vezes, botamos o material "de castigo" por algumas semanas e, finalmente, fitas adesivas transparentes para unir as partes rasgadas e quebradiças...
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tcharãn! o convite à todos os graphicos para o 'grande convescote' do início dos anos 20, realizado no litoral com competições de atletismo, handebol, pingue-pongue... (ainda mesmo que chova!)

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e aqui devolvido à página original, com os documentos vizinhos - textos, manifestos - higienizados.

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trabalhão! mas uma viagem também, delícia. ainda mais com as musiquinhas da fernanda e da ellen, do núcleo de conservação e restauro do SENAI.

7 de fevereiro de 2008

relembrando 1923

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que possamos aprender com os que vieram antes de nós -
só com a nossa organização
é possível enfrentar a patronal
contra as longas jornadas de trabalho,
os baixos salários e o desemprego!

foto: antigo documento da UTG
- união dos trabalhadores gráficos
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5 de fevereiro de 2008

a greve dos comedores de terra

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7 de fevereiro é o dia nacional do trabalhador gráfico.

mas essa data não foi escolhida por acaso.

pense em uma época em que não se podia tirar férias, e os patrões ainda diziam que os trabalhadores "não teriam o que fazer com o tempo livre". as jornadas de trabalho podiam ser de 14, 16 horas, o que o patrão quisesse. não tinha pagamento extra, indenização por acidente de trabalho, aposentadoria... mulheres e crianças realizavam trabalhos insalubres, à noite...

revoltados com suas condições de trabalho, os trabalhadores reunidos na UTG - união dos trabalhadores gráficos - encaminham um memorial de reivindicações à patronal, que nada responde. assim, em 7 de fevereiro de 1923, em todas as gráficas de são paulo se cruzam os braços. o único impresso na cidade passa a ser o jornal O Trabalhador Graphico.

nos primeiros dias da greve, além de mandar a polícia invadir a sede do sindicato, os patrões provocam os trabalhadores, dizendo: "sem nós, o que vocês irão comer?" e os operários, sem salário mas com muita altivez de espírito: "se necessário, comeremos terra!"

a estranha bandeira não é levada às últimas consequências porque, através de comitês espalhados pelos bairros - brás, cambuci, ipiranga, barra funda - , os gráficos organizam uma campanha de solidariedade e recebem, de outros trabalhadores e sindicatos, doações de gêneros alimentícios que são distribuídas entre as famílias dos operários em greve. os comedores de terra não são vencidos pela fome, mas resistem, organizados e unidos.

quase 60 dias depois do 7 de fevereiro, os últimos patrões cedem. foram eles que tiveram que engolir as reivindicações dos trabalhadores.

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31 de janeiro de 2008

a que vem este blog


nós, trabalhadores, construímos tudo que tem nessa cidade.

plantamos a cana-de-açúcar, o café, fizemos acontecer todos os ciclos econômicos que estão nos livros escolares. forjamos os trens, montamos os trilhos e botamos pra funcionar. os bondes. os navios. construímos e depois reformamos não-sei-quantas-vezes o viaduto do chá. deu um trabalhão. o teatro municipal, a catedral da sé, as mansões da avenida paulista. fabricamos todos os chapéus que aparecem nas fotos de época. (e também tiramos as fotos.)

nossa classe é tão rica de possibilidades históricas, criativa, guerreira.

claro, esta não é a opinião de alguns intelectuais, que dizem sermos um povo que suporta tudo, pacificamente... que recebeu as coisas, de um vargas ou qualquer outro... o que eles não dizem é que cada direito, cada pequena conquista teve antes um motim, um enfrentamento, uma revolta, uma grande greve... não dizem que os senhores de escravos, os fazendeiros, os patrões industriais só entregam os anéis quando estão quase perdendo os dedos.

e na verdade cada mudança política nesse país até hoje foi isso... os governantes se reconfigurando, com "revoluções" de cima pra baixo, tomando o lugar um do outro - mas sempre representando os poderosos, as elites, os donos das terras, das fábricas, de tudo.

e morrendo de medo da classe operária tomar o poder.

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este blog é uma pequena contribuição para resgatar algumas belas páginas do movimento operário em sp - especialmente dos trabalhadores gráficos, que possuem uma história incrível e grandiosa, impressa a tinta e sangue.


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